Deambulava eu ali pela zona do Cabo Mondego, a olhar o oceano imenso com prazer, enquanto o Sol se punha com deslumbre.
Nisto, e à vista de dezenas de gaivotas que por ali esvoaçavam, observo duas delas, cujas admitem com facilidade os papeis de perseguida e perseguidora. Esta última não larga por nada deste mundo o papel que lhe parece atribuído por um qualquer realizador paranóico. E persegue a primeira com a cega persistência de quem está convencida que sabe o que quer.
E eu penso “tem de ser parada nupcial”. Isto é, para mim não passava de um “gaivoto” que quer por força e não abdica de “comer” a gaivota.
Errado!.
Vejo a primeira a pousar, exausta. Vejo a sua perseguidora a pousar com ar triunfante, quase encostada à suposta vitima. E de novo penso “é agora, o momento supremo da criação”. E é com inusitada surpresa que vejo a perseguidora a sacar de uma “naifa” que, mesmo à distância se me afigura de lâmina proibida. No momento lamentei não haver por perto nenhum elemento das forças da autoridade – o que só serve para dar ênfase àquele dito que diz “a policia nunca está onde é necessária”.
Nisto, ó horror dos horrores, vejo a impiedosa gaivota perseguidora a apunhalar sem dó a perseguida, deixando-a prostrada, totalmente ensanguentada e completamente desfigurada.
Tudo isto se passa em breves segundos e a assassina depressa desaparece, camuflando-se no meio das dezenas ou centenas de congéneres.
Moral da história:
Nunca comi, mas gaivota é carne, proteína. Seca e a saber a merda segundo dizem, mas ainda assim, carne!. É um recurso. E nos tempos que se avizinham o melhor é não sermos esquisitos.
Ps: É sexta-feira. Não esqueçam o que faz bem à saúde.